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Qual é a importância da representatividade em sala de aula?

Por Mainara Thaís - Educativo




Sabemos que durante o desenvolvimento socioeducacional de um indivíduo cada uma das referências apresentadas importam. Consciente ou inconscientemente, ao nos referirmos às primeiras figuras com as quais temos contato podemos estar falando de imagens, emoções e concepções guardadas por muito tempo. Tudo isso faz parte do nosso processo de autopercepção e identificação no mundo, afinal, é criando repertório sobre o que é externo que também aprendemos sobre como interagir com o outro, da mesma forma que é por meio da identificação que consolidamos a percepção sobre o que somos e de quais grupos ou espaços fazemos parte. Tudo isso tem - e ganha cada vez mais - impacto ao longo do crescimento.


Você já parou para pensar como a sala é um dos espaços mais expressivos para a apresentação primária das vitrines sociais na nossa vida?

É no ambiente educacional que temos contato com colegas de classe, figuras de autoridade, materiais pedagógicos, encontros, ciclos… Entre os conflitos e os vínculos, muitas imagens fazem parte desse ambiente. E essas imagens vão formando espelhos que se conectam com a nossa subjetividade o tempo inteiro. O modo como elas são apresentadas pode gerar identificação ou estranhamento. Grupos minorizados, por exemplo, são constantemente sub-representados nos principais canais de comunicação, nos papéis de liderança e nas atuações sociais significativas em geral. Isso pode gerar a impressão de que esses espaços “não são para esses sujeitos”, mas a verdade é que essa percepção é criada socialmente.


Levando isso tudo em consideração e sabendo que só podemos falar de representação quando tratamos de sujeitos que estão fora de um protagonismo generalizado… O que é representação? O que é representatividade?

Quando falamos de representação, nos referimos ao ato de estar em determinado espaço representando a figura de pares iguais, o que é muito importante. A representação auxilia no processo de identificação, autoestima, visibilidade e autonomia. Porém, o conceito de representatividade vai além: ela diz respeito ao ato de defesa dos valores e interesses de pares iguais, de forma decisória e política. Isso significa que a representatividade está a favor da luta por direitos, por uma sociedade mais equalitária e que ouça todas as vozes.


Por isso, trabalhar a representatividade em sala de aula é também levantar a importância de termos espaços decisórios como ambientes diversificados. Não precisamos de atores sociais figurativos para compor vitrines. Precisamos que sujeitos minorizados façam parte efetiva dos espaços onde frequentam, não só por meio da escuta, mas também pela consideração e construção ativa. Assim, é importante que os espaços educacionais não sejam apenas diversificados em superfície, mas que sejam efetivamente inclusivos. Por fim, a representatividade se faz valer além da presença, mas na escuta de vozes plurais e na construção com base em suas vivências e reivindicações. Para cada construção de novos espelhos e imagens, precisamos também construir novas posturas e concepções.

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