Quais são os principais desafios para a promoção da diversidade na escola?

Por Mainara Thaís - Educativo



A vivência educacional é um mar de possibilidades. O contato gerado em todas as fases da vida escolar é fundamental para a aquisição e o desenvolvimento de uma série de habilidades socioemocionais relacionadas às interações interpessoais, além de gerar um espaço para o compartilhamento de experiências e saberes que construirão opiniões e visões do mundo social. Para além da socialização, a instituição escola também promove ainda que brevemente ideias de naturalização, padronização, referências gerais. Isso se conecta diretamente com a subjetividade de cada indivíduo em desenvolvimento e passa por um processo de internalização cognitiva.


Os espaços educacionais não estão isolados do cotidiano social (muito pelo contrário!), é também comum que as referências criadas em outros lugares invadam o que presenciamos nesses espaços por meio das conversas e trocas. A escola funciona como um verdadeiro espelho social e é por essa razão que precisamos nos atentar em relação às referências trazidas dentro do ensino. Será que, no geral, essas referências trabalhadas têm sido verdadeiramente diversificadas? Será que, ainda que tragam a imagem e a representação de indivíduos que fazem parte de grupos minorizados, essas referências não vêm de forma exotizada ou exentricizada?


Esses pontos são fundamentais para entender como a escola tem promovido a diversidade em seu ambiente. Já discutimos isso anteriormente ao falar sobre a promoção de inclusão e a importância da representatividade, mas o ponto central da questão é que não adianta ter um ambiente marcado pela pluralidade se esta não é exercida efetivamente no dia a dia. Isso vai além da composição escolar e significa que precisamos diversificar/dinamizar nossas referências em conteúdos, rodas de conversa, atividades ordinárias, extracurriculares e até mesmo no contato com as famílias e a comunidade escolar geral.


Possivelmente o principal desafio encontrado seja a própria naturalização do debate sobre a diversidade e a criação de espaços acolhedores; espaços que entendam as demandas de seus/suas estudantes e propiciem escuta e diálogos ativos. E daí a importância de não colocarmos essa temática como um tabu, entendendo que ela precisa participar da nossa realidade de ensino.


A diversidade é uma realidade brasileira e, assim sendo, não podemos tratá-la de maneira isolada em ações que preencham pontualmente o calendário escolar. Ela precisa ser o nosso ponto de partida. Por isso, precisamos aproximar nossos/as estudantes dessa reflexão e normalizar pontos de vista que contemplem as inúmeras possibilidades de ser, fazer e existir nesse mundo.

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