Os sentimentos, a pandemia e as crianças: como a pandemia potencializou inseguranças

Por Mainara Thaís - Educativo


Sabemos que a pandemia foi responsável por trazer, a nível global, uma série de dúvidas e questões. Perdas em massa, declínio econômico, sistemas de saúde em colapso, diversos países voltando ao mapa da fome, vulnerabilidades sendo escancaradas e agravadas... É impossível dizer que não fomos afetados em meio a esse contexto. Na chamada era da “tecnologia de ponta”, nos vimos obrigados/as a readequar até processos entendidos como simples.


Trabalho, educação e contato: tudo passou a ser realizado dentro de casa (e isso se houvesse a conectividade necessária para seguir com as interações à distância). O isolamento como estratégia de contenção pandêmica limitou nossos contatos, além do uso massificado de álcool gel e máscaras de proteção ter impedido o toque e as leituras faciais tão comuns em outros tempos. Enquanto testemunhava-se uma situação sanitária sem precedentes, as ansiedades, medos e inseguranças chegaram a níveis também jamais vistos antes.


Se jovens e adultos tiveram profundas dificuldades de adaptação ao novo regime sócio-sanitário imposto, como refletir sobre a adaptação das crianças? Durante os ciclos mais intensos de contaminação de COVID-19 muito se falou sobre a importância da saúde mental e da busca por profissionais e estratégias para lidar com um panorama tão doloroso. E os sentimentos vividos pelos mais novos? Será que demos atenção a isso o bastante?


A partir das normas de distanciamento social instituídas como medida de contingência do novo coronavírus, presenciamos um cenário em que o contato já não é mais possível como em momentos anteriores. Escolas fecham, normas sociais mudam, o regime educacional tenta se adequar ao “ensino à distância”… Num momento em que a referência das emoções está sendo construída por meio da socialização primária e do contato com o externo, a partir da pandemia temos uma ruptura abrupta nesse processo de desenvolvimento.


Segundo um levantamento da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), os sentimentos de insegurança, solidão e ansiedade se apresentaram como uma marca traumática deixada nas crianças após a pandemia em decorrência das limitações de contato impostas. Ao levar em consideração vulnerabilidades sociais prévias, o panorama é ainda pior: crianças que não tinham estrutura tecnológica de materiais e conectividade para manterem o contato à distância sofreram ainda mais privações.


Essa conjuntura nos reforça a necessidade de entender quais foram essas marcas e não negligenciá-las no retorno ao ensino presencial. Dessa forma, é importante que haja um estímulo de rodas de conversas sobre as emoções, além da criação de espaços de escuta e acolhimento efetivos. Não podemos agir como se nada tivesse acontecido durante todo esse período. A produção de materiais, aulas, atividades e afins deve dialogar, acima de tudo, com o que é demandado dos estudantes. É muito natural que durante o processo de readaptação haja uma intensificação das emoções nas crianças – e daí vem o nosso papel de mostrar repertório de mediação e processamento desses sentimentos todos.


Uma outra estratégia também importante é a apresentação de referências emocionais para que as crianças possam se identificar em determinadas situações e se espelhar em atitudes que contribuem para o processamento dessas emoções. A literatura e os personagens literários, por exemplo, são ótimos para ilustrar esses momentos. Em “As incríveis aventuras de Nirobe na terra do não”, último lançamento da Piraporiando, o personagem principal reflete exatamente sobre como as emoções operam na nossa vida e como elas podem aparecer.


Quer saber mais sobre um mundo onde é possível enxergar os sentimentos? Conheça a história de Nirobe! Para mais informações sobre o desenvolvimento das emoções na primeira infância também temos a Trilhas da Diversidade, programa de educação continuada da Piraporiando. Faça parte! <3

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