Dia 25/07: Quais reflexões o dia da mulher negra latino-caribenha nos deixa?

Atualizado: 12 de ago.

Por Jenniffer Cornélio - Equipe Educativo Piraporiando



Apesh*t ( Beyoncé e Jay-Z)



Somos mulheres negras, latinas e caribenhas. Estamos em luta e resistência e não é de hoje!

O Dia da Mulher Negra, Latina e Caribenha surgiu para dar visibilidade à luta das mulheres negras contra a opressão de gênero, a exploração e o racismo. Por isso, esse é também um dia de reflexão em busca de maneiras para o combate de todas essas opressões.


O dia após o dia 25…

Para mulheres negras, “luto” é verbo e percurso histórico, pois desde o processo de escravização até os dias atuais, elas resistem e buscam construir pontes para avançar numa sociedade estruturalmente racista e machista. Sabemos que mais da metade da população brasileira é negra, segundo os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Entretanto, apesar de sua constituição majoritária em território brasileiro, essa população — e especialmente as mulheres negras — estão à margem da sociedade.


Segundo o Atlas da Violência, as mulheres negras são as que mais morrem. Além disso, 63% das casas chefiadas por mulheres negras estão abaixo da linha da pobreza, de acordo com a última Síntese dos Indicadores Sociais do IBGE. Na pesquisa “Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil” do IBGE, mulheres negras recebem menos da metade do salário de homens e mulheres brancas no Brasil, independente de sua escolaridade.


Para resistir tiveram que se organizar…

Como diz a necessária frase de Jurema Werneck, “nossos passos vêm de longe”. Para resistir aos dados apontados acima, as mulheres negras tiveram que defender seus direitos, desde a criação de associações e irmandades até os movimentos sociais organizados, que tinham como pautas conjuntas a equidade de gênero, raça, políticas públicas de acolhimento financeiro, bem-estar biopsicossocial e principalmente a redemocratização do país, em prol do bem viver.


Essa história precisa ser lembrada…

A pandemia causada pelo coronavírus escancarou ainda mais as desigualdades no país. Sim, o vírus não faz distinção de gênero ou raça, mas as desigualdades sim, e elas atenuam a situação para algumas pessoas. Mulheres negras foram expressivamente atingidas nesta crise.

Segundo o Data Favela — pelo Instituto Locomotiva — 5,2 milhões de mães que residem nas favelas do Brasil, em sua maioria mulheres negras, tiveram sua saúde mental, alimentação e rendimento financeiro prejudicadas no processo pandêmico. E não tinham caminhos para mudar sua situação, pois antes da crise já viviam em contextos de vulnerabilidade, por falta de políticas públicas de acolhimento para a garantia de direitos básicos à vida e à saúde.


O que podemos fazer para mudar essas estatísticas genocidas?

Entendemos que o combate às situações de desigualdades sociais, raciais e de gênero é uma construção coletiva e democrática. Ou seja, é preciso mobilização e organização da sociedade civil para que as pautas trazidas movimentem a superação dessas opressões.


A Piraporiando é uma empresa idealizada e regida por mulheres negras que estão em prol de uma educação para a diversidade , e que se movimenta por meio da produção de conteúdos e experiências antirracistas, antibullying, antipreconceitos e de promoção da equidade de gênero.


62 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo