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Como trabalhar o luto com as crianças?

Por Jenniffer Cornélio - Equipe Educativo



Alguns assimilam com mais proximidade, outros de forma mais distante, mas todas/os nós já tivemos que lidar ou vamos lidar em algum momento com a morte/luto! As crianças, ainda em desenvolvimento dos seus sentimentos, costumam ter inúmeras dúvidas sobre a morte.

Perguntas como:

“Aquela pessoa não existe mais? Para onde ela vai? Tem como voltar? Por que não? Como que vira estrelinha? Nunca mais vamos nos ver? Por que você está chorando?”... São dúvidas comuns das crianças acerca da morte.

O assunto nem sempre é fácil, mas precisamos falar sobre ele. Aliás, falar sobre a morte e o luto é uma das formas de ajudar no processo de entendimento da pessoa que fica — é um tema pouco abordado entre os/as adultas/os, imagine então falar sobre isso com as crianças. As famílias educam seus filhos/as para muitas coisas na vida, mas será que falar sobre morte e luto está entre esses temas? Como trabalhar o luto com as crianças?

Em geral, não é um tema que costuma ser fácil. Porém, nas culturas indígenas, africanas, e, por exemplo, na cultura mexicana, este tema surge de forma naturalizada, pois entendem que a morte não é o fim da existência. Isso não quer dizer que não haja tristeza pela perda, mas a discussão deste momento é entendida como algo real e comum a todas/os nós.

Não falar com as crianças sobre a morte, a perda ou fingir que ela não existe pode causar grandes traumas. Se, por exemplo, a criança conhece e lida com a finitude das coisas, no momento de perda de um ente, ela já vai ter passado por outras perdas e o impacto será menor.


Mas, o luto infantil existe?

Sim, o luto infantil existe e é a reação à própria percepção da finitude da vida. Quando morre uma pessoa próxima, ou mesmo um animal de estimação, a criança percebe que a morte é real, e que outros entes queridos também se vão um dia e faz parte do ciclo natural da vida.

Assim como entre adultos/as, o luto infantil envolve sentimentos múltiplos e pode levar tempos diferentes para ser assimilado, e este processo é normal. É importante nesse momento ter honestidade nas falas. Escuta e acolhimento são as melhores ferramentas.


Vamos deixar três dicas que podem te ajudar neste processo, são elas:


— Histórias, filmes, desenhos e até mesmo um diálogo podem ajudar a introduzir esta pauta.

— Não minta. Você pode ser afetuoso, gentil, mas evite mentir. Cuidado com coisas como ‘’ele viajou’’, ‘’ela vai voltar’’. Esse tipo de fala atrapalha o entendimento da criança e pode fazer com que ela perca a confiança em você.

— A morte e o processo de luto é muito difícil. Se você não conseguir falar com a criança, sobre este assunto, até por você estar muito fragilizada/o, não hesite pedir ajuda. E atenção aos sinais da criança no caso de uma perda de pessoas muito próximas. Ansiedade, nervosismo, gastrite nervosa, quadros depressivos, agressividade, estes sintomas demandam apoio de um psicólogo.


Não fique só!


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