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A importância do engajamento dos estudantes no combate ao racismo na escola

Atualizado: 4 de mai.

A juventude será grande aliada na luta antirracista!

Por Jenniffer Cornélio - Equipe Educativo



Falar sobre racismo no Brasil ainda é um tabu. Muita gente diz: “aqui na minha escola não tem!” ou: “aqui nós não vemos racismo!". Entretanto, os dados estatísticos oficiais mostram outra situação. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por exemplo, aponta que 76% dos ricos são brancos, 79% dos pobres são negros, a renda média do trabalhador negro fica entre R$ 1.571 e R$ 2.814 e 23% dos brancos têm ensino superior, dado que cai para 9,3% em relação aos negros — segundo o Mapa da Violência, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) — a cada 23 minutos morre um jovem negro. Situações cotidianas também nos dizem o contrário: o racismo existe e está nas estruturas, nas entrelinhas, nos silêncios. Por isso, é fundamental buscarmos caminhos efetivos para quebrarmos essa cultura de ‘inexistência’.


Sabemos que a escola é um espaço de socialização para formação do indivíduo em sociedade e que também neste ambiente, situações de racismo e outras discriminações podem passar despercebidas e/ou anuladas no cotidiano educacional. Muitas vezes a atitude de mudança e até mesmo a reflexão crítica parte dos/as estudantes que não se conformam diante de injustiças sociais e silenciamentos de pautas problemáticas importantíssimas como as do racismo.


Um exemplo histórico de que a juventude será uma grande aliada para luta antirracista é o caso de uma estudante de Rio Claro que sofreu racismo na escola e não teve amparo da gestão escolar, mas em busca de respostas e mudanças os/as estudantes se movimentaram em protesto.


É necessário reconhecer que crianças e jovens são sujeitos de direitos e de voz legítima. Por isso, tirá-los da invisibilidade é urgente! A criação de espaços de escuta e acolhimento, comitês de combate ao racismo, realização de rodas de conversa e debate, e trabalho em sala de aula de conteúdos que suscitam o tema são boas estratégias de engajamento. É necessário naturalizar as abordagens sobre o tema, que infelizmente ainda é uma realidade social.


Entendemos que a conexão com o processo educativo é de caráter relacional, essa luta só ganha potência quando pensada a partir das relações socioemocionais, culturais e históricas, onde o outro é legítimo. Somos provocadas/os a pensar que está mais do que na hora de a escola construir diálogos afirmativos com os/as estudantes e entender que não existe mudança sem respeitar as pluralidades, as vivências, a cultura e a identidade de todos, todas e todes que fazem parte da escola.


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